Indicação e objetivo clínico

Strong Peel é o protocolo de referência para melasma epidérmico resistente — aquele que não responde bem a peelings mais leves ou uso tópico isolado. Simultaneamente, funciona como tratamento de rejuvenescimento para rugas, linhas de expressão e flacidez global. É o protocolo mais agressivo do portfólio em termos de ação despigmentante, com mecanismo duplo: dispersão (Lado A) + inibição de melanogênese (Lado B).

Fundamento

Strong Peel opera em duas fases simultâneas, cada uma endereçando a melanina por caminho diferente:

Lado A (Ácido Retinóico 10% — Dispersão e renovação): O ácido retinóico é um antagonista dos receptores nucleares RAR/RXR que governa a renovação celular. A 10%, ele desagrega a coesão dos corneócitos (desmossomos), acelerando a descamação do estrato córneo e promovendo renovação epidérmica. Isto tem duplo efeito: (1) dispersa melanina já depositada nos queratinócitos epidérmicos através do aumento de renovação, e (2) diminui coesão, evitando que a pele espesse patologicamente após o peeling. O Fiflow (perfluorocarbono) potencializa a ação ao aumentar a biodisponibilidade de oxigênio local — ácido retinóico é pró-oxidante e trabalha melhor em ambiente bem oxigenado. Os Cerasomosides (fitoesfingolipídeos) reforçam a barreira durante um trauma agressivo, reduzindo irritação sistêmica.

Lado B (Hidroquinona 20% + 15 ativos clareadores — Bloqueio da melanogênese): A hidroquinona é o padrão-ouro de despigmentação epidérmica, funcionando por bloqueio da tirosinase — a enzima que catalisa a síntese de melanina a partir de tirosina. A 20% (máxima permitida tópica), ela inibe de forma potente. Mas hidroquinona isolada deixa margem para hiperpigmentação reativa (HPI) em 5-10% dos casos — por isso a Neofarma adiciona arsenal complementar no Lado B:

  • Ácidos (Lático 5% + Glicólico 5%): renovação epidérmica adicional, trabalham sinergicamente com retinóico via mecanismo de dessaturação de melanossomas.
  • Ácido Tranexâmico 3%: ativa plasminogênio, reduz interleucina-6 (citocina pró-inflamatória) e inibe PAR-2, que é upstream de melanogênese induzida por inflamação. Crítico em melasma resistente, que frequentemente tem componente inflamatório.
  • Arbutina 6% + Phloretin 2%: ambos inibem tirosinase por caminho complementar à HQ. Arbutina funciona via deglicosação local. Phloretin é metabólito ativo de floretina (polifenol) com ação antioxidante e inibição de tirosinase via sequestro de cobre (cofator da enzima).
  • Azeloglicina 5%: inibe NF-kB (fator de transcrição pró-inflamatório), reduz IL-6 e reduz síntese de melanina induzida por inflamação.
  • Acetonido de Fluocinolona 0,4% + Clobetasol 0,5%: corticoides potentes que reduzem inflamação aguda do peeling e, mais importante, reduzem significativamente o risco de HPI. Funcionam por vasoconstrição e supressão de citocinas próinflamatórias (IL-1, TNF-alpha) que disparam melanócitos pós-laser/peeling. Synovea HR (hexapéptido de sinalização celular) sinergiza com corticoides ao reduzir neuroinflamação cutânea.
  • Lumiskin 2% + Wonderlight 2%: peptídeos de sinalização que inibem MITF (master transcription factor) na melanogênese. Lytenol A (retinóide alternativo) aumenta a pressão retinoica.

A lógica: quando Lado A quebra a barreira e dispersa melanina através da descamação, o Lado B já está bloqueando qualquer sintetização nova de melanina E inibindo a inflamação que recrutaria melanócitos para hiperprodução compensatória.

Contato de 8 horas: o tempo prolongado de contato permite não apenas penetração adequada dos ácidos e retinóides, mas também que a fluocinolona e o clobetasol façam sua ação anti-inflamatória sistêmica — a HPI é mais risco quando a inflamação do peeling não é contida nos primeiros dias.

Bifásico, não sequencial: diferente de outros peelings onde se aplica um ácido, neutraliza, e depois aplica clareador, aqui o paciente vive com AMBOS os lados simultâneos durante 8h. Isto é possível porque: (1) Lado A é tamponado pela presença de HQ + corticoides (Lado B reduz irritação); (2) ambos são em base aquosa de viscosidade controlada; (3) o tempo prolongado distribui o agressor ao invés de concentrá-lo.

Etapas do protocolo

EtapaAçãoProdutoTempoLocalObservações
0 — HigienizaçãoLimpeza com esfoliante suaveMousse Ureia 30%1–3 minConsultórioRemove oleosidade, descama superficialmente. Ureia 30% dissolve queratina sem agredir
1 — AplicaçãoMisturar Lado A + Lado B em partes iguais (7,5g + 7,5g) e aplicar uniformemente na faceLoção Strong Peel Lado A + Loção Strong Peel Lado B (misturadas)ConsultórioHomogeneizar bem. Evitar canto dos olhos (periocular muito sensível). Aplicar com espátula ou pincél de forma uniforme. Paciente pode aguardar em ambiente climatizado
2 — Contato prolongadoPaciente vive com a loção por 8 horas. Instrui a NÃO lavar durante este períodoLoção Strong Peel (Lado A + B)8 horasDomicílioTempo crítico. Não macerador. Algumas pacientes relam sensação de queimação a partir da 4ª hora — normal, não lavar antes. Se queimação insuportável (raro), pode remover após 5–6h. Não aplicar hidratante durante contato
3 — RemoçãoLavar rosto com água filtrada e sabonete neutro, enxaguar abundantementeÁgua morna + Sabonete Neutro10 minDomicílioRemover completamente a loção. Não esfregar. Deixar secar naturalmente
4 — Imediato pós-peelingAplicar Pomada Pós Peeling para barreira e cicatrizaçãoPomada Pós PeelingImediatoDomicílioOcluir por 12–24h para otimizar cicatrização. Deixar absorver antes de dormir se aplicada à noite

Variação com microagulhamento (Ação Dérmica)

Se melasma for resistente E tiver componente dérmico confirmado (pele com textura irregular, pigmento profundo), fazer microagulhamento 0,5mm 48h ANTES do Strong Peel. O microagulhamento cria canais para penetração mais profunda do retinóico e da HQ, atingindo melanóforos dermais. O intervalo de 48h permite que a epiderme se recupere minimamente, reduzindo irritação acumulada.

Nesta modalidade, a indicação é melasma-derme.

Progressão alternativa

Se paciente não tolerar ou apresentar HPI após primeira sessão, regrediar para piruata (ácido pirúvico 30%, clareador mais suave). Se tolerou bem mas melasma resistente persiste após sessão 4, avaliar adição de luz pulsada ou LED vermelho (fotobioestimulação) entre sessões.

Home care — Manutenção pós-peeling (Essencial)

ProdutoIndicaçãoFrequênciaPeríodo
Sabonete Barra Physavie 1%Limpeza suave, higiene básica2x ao diaPermanente (vida todo)
Loção Pós Peeling com Filtro FísicoProteção UV + hidratação leve, reduz irritação pós-peelingDiurno (mínimo SPF 30 físico)1–3 meses pós-peeling
Pomada Pós PeelingBarreira oclusiva, reparação epidérmicaÀ noite ou 2–3x ao diaPrimeiras 2 semanas pós-peeling
Creme Nutritivo Retinóico POMCManutenção da ação despigmentante, renovação contínuaNoturno, 3–4x semana1–2 meses pós-peeling

Lógica de cross-sell: O paciente remove a loção agressiva na 8ª hora. Nos próximos 2–3 dias, a epiderme está desnuda, inflamada e muito permeável — qualquer coisa que entra penetra fundo. A Loção Pós Peeling com Filtro Físico prepara a epiderme para não hiper-reagir (anti-inflamatório leve + bloqueio UV), enquanto a Pomada Pós Peeling refaz a barreira lipídica. Depois de 2 semanas, quando a descamação parou e a pele estabilizou, o Creme Nutritivo Retinóico sustenta a ação: continua dispersando qualquer melanina pós-fogo e mantém renovação epidérmica para evitar recidiva.

Variações e ajustes

Por fototipo

  • Fototipos I–III (claros): protocolo padrão. HQ a 20% é segura.
  • Fototipos IV (morenos escuros): considerar reduzir contato para 6–7 horas na primeira sessão e monitorar. Adicionar cuidado com AIC (área intra-cantelar) onde HPI é mais risco.
  • Fototipos V–VI: CONTRAINDICADO com HQ a 20%. Usar piruata ou peeling-exo-peel-strong como alternativa.

Por severidade de melasma

  • Melasma leve (manchas claras, superficiais): 2–3 sessões com intervalo de 30 dias é suficiente.
  • Melasma moderado (pigmento mais concentrado, áreas maiores): 4–6 sessões, intervalo de 15–20 dias, sem reduzir concentração.
  • Melasma resistente (profundo, meses de evolução, falhou piruata): 6–8 sessões, com microagulhamento a cada 2 sessões. Protocolo estendido.

Por resposta a HPI

Se após sessão 1–2 aparecer HPI (hipercolor pós-inflamatória):

  • HPI leve (eritema): continuar protocolo, aumentar Loção Pós Peeling com Filtro Físico para 3x ao dia, adicionar solucao-hpi (hidratante + anti-inflamatório).
  • HPI moderada (hiperpigmentação nova): suspender Strong Peel por 1–2 meses, usar tópicos clareadores em domicílio (creme noturno + sabonete despigmentante), depois retomar.

Substituições de produto

Se algum ativo do Lado B não estiver disponível (ex: Wonderlight em falta):

  • Usar formulação alternativa do Lado B (Neofarma tem versões com diferentes polifenóis). Avisar ao prescriptor a mudança.
  • Strong Peel com Lado A nunca é substituído — é o core da ação retinóica.

Cross-sell e combinações complementares

Antes da primeira sessão:

  • Creme Pré-Peeling Retinóico: 2 semanas antes, usar à noite para condicionamento da pele. Reduz irritação do Strong Peel.

Após remoção (imediato):

  • Pomada Pós Peeling: obrigatória.

Dias 1–7 pós-peeling:

  • Loção Pós Peeling com Filtro Físico: essencial para UV + hidratação leve. Disponível em versão Bege (fototipo IV+).
  • Sabonete Syndet Manchas: se tiver acesso a higienização especializada, melhora tolerância.

Dias 7–30:

  • Creme Clareador Noturno: sustenta ação despigmentante entre sessões. Reduz recidiva de melanina.
  • Filtro Físico TXA Bege: para fototipos escuros, capa fotoprotetora com TXA adicional reduz risco HPI.

Se HPI:

  • Solução HPI: hidratante + anti-inflamatório + ácido mandélico suave. Controla hiperpigmentação reativa.

Sugestão cruzada na anamnese: Se paciente vem por rugas + melasma, lembrar que Strong Peel faz ambos — não precisa combo com outro peeling. Se vem por flacidez + melasma, considerar melasma-derme com microagulhamento profundo (1.5mm) depois.

Contraindicações e cuidados

Absolutas:

  • Gestação e aleitamento (ácido retinóico sistêmico é teratogênico, contato tópico 8h reduz risco mas recomenda-se esperar).
  • Uso de isotretinoína oral (nos últimos 6 meses ou em curso) — risco extremo de descamação severa.
  • Fototipos V–VI com HQ a 20% (risco de ocronia permanente; usar alternativa).
  • Pele com lesões abertas, herpes ativa, inflamação aguda.

Relativas (requer ajuste):

  • Rosácea ativa: usar com contato reduzido (5–6h), sem fluocinolona potente, monitorar rubor.
  • Dermatite de contato prévia: patch test com Lado B 48h antes.
  • Pacientes em uso tópico de retinóides (ex: adapaleno, tretinoin): suspender 1 semana antes de Strong Peel.
  • Fototipos IV com HQ: monitorar AIC (periocular medial, acima do nariz), aplicar proteção adicional.

Pós-peeling (preventivas):

  • Evitar sol direto pelos próximos 30 dias (mínimo SPF 50 físico).
  • Não aplicar cosméticos irritantes (ácidos, vitamina C concentrada, niacinamida >5%) nos primeiros 14 dias.
  • Não fazer procedimentos adicionais (microagulhamento, laser, radiofrequência) dentro de 2 semanas pós-peeling.
  • Hidratar adequadamente — pele descamada é barreira comprometida.

Atualizações

DataMudançaMotivação
2026-04-06Protocolo criadoDestaque em AMWC 2026; top 10 de vendas (Lado A #8, Lado B #27). Formulação dupla inédita na Neofarma com arsenal clareador completo (HQ 20% + 15 ativos). Referência para melasma resistente e rejuvenescimento.

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